O Tropicalismo Gaúcho escrito em terça 25 setembro 2007 21:58
Tropicalismo Gaúcho II escrito em terça 25 setembro 2007 22:10
E o caminho aberto pelos Tropicalistas gaúchos, como dissemos no início, continua influenciando a música feita em Porto Alegre, e inspirando trabalhos os mais diversos, de bandas de rock a grupos de MPB. Realmente, podemos salientar que a sua influência se faz sentir em inúmeros trabalhos de vários (as) cantores/cantoras e compositores/compositoras, bem como em diversas bandas, inclusive de viés psicodélico. O músico e produtor cultural Márcio Ventura, a quem pedimos auxílio no sentido de mapear os principais rastros do Tropicalismo na música popular atualmente feita no RS (Márcio que está no “olho do furacão” da cena rocker local), reputa que a influência do movimento se faz sentir não apenas no trabalho de sua banda, Os Arnaldos, mas também nos trabalhos de Os Subtropicais, Arthur de Faria, Frank Jorge (da Graforréia Xilarmônica), Fruet e os Cozinheiros, Jimi Joe e, evidentemente, Levitan e os Tripulantes. A isso poder-se-ia acrescentar, sem embargo, e consoante já apontamos, que, de resto, diversos elementos carreados à cena da música popular feita no Brasil pelo movimento Tropicalista já estão integrados como pressupostos de um trabalho de composição popular, e, em nosso caso específico, já estão agregados ao próprio “inconsciente coletivo” dos roqueiros e “mpbistas” gaúchos, de maneira que sua influência está amplamente difundida e incorporada neste universo e a permear trabalhos os mais diversos.
Vivendo a vida de Lee - Woodstock em Porto Alegre escrito em quarta 26 setembro 2007 18:02
VIVENDO A
VIDA DE LEE –WOODSTOCK EM PORTO ALEGRE
por Rogério Ratner
“É Lee, é calça Lee, é Lee,
é calça Lee...” (baixa o som do jingle, entra a
voz com eco, com muita energia e rapidez na dicção):
”na superquente Continental, o novo movimento, o som daqui,
já gravado no estúdio 2 da superquente, especial para
Mr. Lee em concerto, isso é viver a vida de Lee, é
você estar ligado na Continental, ao natural, curtindo o que
os nossos têm pra nos dizer, gente daqui, o novo movimento, a
força do som local (...)”; “superquente
Continental, fique parado aí xará, é gente
nossa, som feito aqui no Porto, aqui na superquente com Mr. Lee, os
melhores da música do sul do país, o som que levou
mais de cinco mil pessoas para o Araújo Viana, pra curtir o
Concerto número II, você está sintonizando,
curtindo a superquente (...)”; “Lee, a
proposição de uma força nova, uma coisa daqui,
com a força total da superquente Continental (...)”.
(“Living the life of Lee, living the life of Lee...”,
baixa o jingle, entra a voz): “Vivendo a vida de Lee, o
importante é você olhar pra uma Lee e saber que
é Lee, Mr. Lee em concerto, pra você ficar por dentro
do que está acontecendo de bom, um trabalho de estrutura,
pra você curtir o som local, valorizar a nossa música,
saca o som, o ritmo autêntico, o recado natural, com a
liberdade de Lee, saca a força desta guitarra (...)”;
“isso é viver a vida de Lee, é você estar
ligado na Continental, ao natural, gente daqui, do novo movimento,
a força do som local, um lançamento de Mr. Lee para
todo o sul do país, Mr. Lee em concerto, dando força
para os novos talentos, saca o som, o recado (...); “pra
qualquer hora, qualquer lugar, em qualquer tempo, Lee jeans, veio
de muito, muito longe, andou muita estrada pra ficar junto de
você, jeans, a roupa que dá consistência ao
corpo e “guenta” o tirão, pra você curtir
a total liberdade num mundo todo azul, prestigie e valorize os
nossos músicos, “vamo” curtir o recado, com Mr.
Lee em Concerto, dando força para os novos talentos, a onda
1120 superquente Continental, com 20 Kilowatts
transistorizados...”
Quem viveu na década de 70
em Porto Alegre e era jovem - ou criança, como eu, que tinha
por volta de dez anos, à época - certamente nunca
mais se esqueceu da voz e da animação
incontrolável do Mr. Lee, captada em nossos incipientes
radinhos de pilha, ou então nos velhos rádios e
eletrolas dos “coroas”. Mr. Lee – personagem hoje
mítico no imaginário das novas gerações
do “som local” e na lembrança de seus
contemporâneos setentistas, que a princípio deveria
corresponder a um cowboy americano, mas que aos poucos foi se
transmutando em um legítimo “magro do Bomfa” (O
Bomfim é o bairro onde aconteceram alguns dos principais
agitos artísticos e musicais dos anos 60 em diante em Porto
Alegre, e está intimamente ligado, enquanto cenário,
ao rock e à música popular feitos na capital
gaúcha), encarnado de corpo e alma pelo genial radialista
Júlio Fürst, na igualmente espetacular e
revolucionária Rádio Continental AM, emissora
pertencente ao Sistema Globo de Rádio.
A Rádio Continental AM, que já existia desde os anos
60, mas que era uma emissora com programação
semelhante a das rádios AM do interior, sem uma
direção clara em sua programação, foi
adquirida pelo Sistema Globo de Rádio no final dos anos 60.
No início dos 70, Fernando Westphalen e Marco Aurélio
Wesendonck assumem o comando da emissora, e recebem carta branca
para repaginá-la. Assim, surgiu no dial portoalegrense uma
proposta nova, sendo a Continental um dos primeiros veículos
a apostar na segmentação da audiência jovem,
uma vez que as demais rádios AM, de um modo geral, atuavam
no esquema que ainda é atualmente utilizado naquela faixa de
emissão, de notícias, entretenimento, esportes,
política, etc., para o público em geral, não
separado por faixas etárias. A Continental então
traçou o “mapa da mina” cujos rastros foram
seguidos a partir do início da década de oitenta por
diversas rádios FMs na capital dos gaúchos e em seu
entorno - quando a música jovem trocou de faixa no dial do
AM para o FM -, formato que se alastrou por todos os
“rincões do pampa” e que, guardadas as
proporções, vigora até hoje. Além de
Júlio, a rádio contou com diversos
disk-jóqueis inovadores, tais como o Cascalho (a quem se
pode atribuir a paternidade da expressão
“magrinho”, tão em voga na Porto Alegre da
época, e que identificava a “galera” jovem),
Clóvis Dias Costa, Beto Roncaferro (que era o programador
musical da rádio), entre outros. Veiculava também um
programa dos então professores do cursinho
pré-vestibular IPV, José Fogaça (atual
Prefeito de Porto Alegre) e Clóvis Duarte (Programa
Câmera Dois, na TV Guaíba). Inovava na
locução, na linguagem, na informalidade de seus
locutores e apresentadores, no marketing, na propaganda- que era
feita especialmente para ser rodada em suas ondas -, contava com o
comentário diário do escritor Luis Fernando
Veríssimo, entre muitas outras novidades, sendo a primeira
emissora “cientificamente” criada no Sul especialmente
para o público jovem e universitário. Isso numa
época em que tudo no país era muito
“quadrado”, o Brasil estava em plena ditadura militar,
momento da vida nacional em que o “É proibido
proibir” do maio de 1968 descambou no pesadelo do “Nada
é permitido, inclusive pisar na grama”. E a
Continental não raras vezes bateu de frente com a ditadura e
sua famigerada censura, tendo inclusive sido retirada do ar em
determinados ocasiões, além de ter que conviver
diariamente com o “bafo” dos censores.
Analisando-se o fenômeno em que se constituiu esta
rádio - e sem embargo quanto a todos os seus
inegáveis méritos e o papel de vanguarda em diversos
aspectos, como já assinalado -, observa-se que o trabalho de
Júlio Fürst na Continental indiscutivelmente se
revestiu de um caráter único, não apenas pelo
estilo próprio de apresentar o seu programa, mas
também pela proposta que destemidamente bancou junto aos
diretores da emissora, que trouxe conseqüências
espetaculares para o desenvolvimento e a divulgação
do rock gaúcho e da MPB feita no sul.
A história começa mais ou menos assim: Júlio,
que é baterista, atuava em um conjunto melódico
(tocavam em bailes e festinhas) nos anos 60, e no início dos
70 teve uma loja de discos na Avenida Independência,
então um dos points da juventude portoalegrense. Um amigo
seu -que veio a ser proprietário de inúmeras casas
noturnas famosas na capital gaúcha-, indicou-o para
trabalhar na Rádio Pampa AM, que tentava fazer frente
à monopolização que a Continental estava
obtendo frente ao público jovem das classes A e B (e parte
da C). O trabalho de Júlio chamou a atenção da
Continental, e após um tempo ele e o seu “fiel
escudeiro” Beto Roncaferro se foram de “mala e
cuia” para a concorrente. Inicialmente, Júlio
apresentava um programa de soul/funk americano, encarnando
“Julius Brown”, um negão
“típico” do Bronx que transmitia em
português, embora o locutor seja um
indisfarçável descendente de alemães. Chegou a
discotecar festas no Clube Floresta Aurora (entidade quase que
exclusivamente freqüentada pela comunidade negra da capital,
que fazia festas semelhantes aos bailes realizados no Rio nos anos
70, em que vicejavam Banda Black Rio, Cassiano, Tim Maia, etc.),
caracterizado como “negão black”
clássico, ladeado por duas dançarinas com cabeleiras
black power, na maior cara-de-pau. Então, ocorreu que,
à época (início de 1975), a fábrica de
roupas gaúcha Renner (da qual se originaram as Lojas Renner,
hoje uma cadeia nacional) decidiu estabelecer uma espécie de
franchising com a Lee americana, para produzir no Brasil as
calças jeans como “originais”, tendo em vista
que até então as calças da marca que
circulavam por aqui eram todas importadas. Nos EUA, a Lee já
tinha um programa transmitido coast to coast de música
country, inclusive promovendo shows ao vivo. A Renner, que queria
justamente penetrar na faixa de mercado do público jovem,
propôs à Radio Continental que a emissora produzisse e
transmitisse um programa nos moldes do americano. Então,
“Julius Brown” foi aposentado e Júlio Fürst
passou a encarnar o “Mr. Lee”. Desta forma, a partir de
abril de 1975, Júlio apresentava (narrando em
português, obviamente) o programa do Mister Lee, encarnando
uma espécie de cowboy brasileiro e veiculando country
americano. Em julho daquele ano, Júlio foi convidado para
ser jurado do Musipuc, o festival mais importante de música
universitária que se realizava na década de 70 em
Porto Alegre. Encantado com a qualidade dos trabalhos que viu e
ouviu ali, teve a idéia luminosa de propor à
direção da Continental que os artistas locais
gravassem suas músicas no próprio estúdio da
Rádio, no gravador de dois canais constantes do
Estúdio B, e que as músicas passassem a rodar em seu
programa. Os diretores acharam a idéia um pouco maluca, e
disseram que o risco seria do próprio radialista, caso
aquilo redundasse num fracasso de audiência. Júlio,
corajosamente, decidiu abraçar a “bronca”.
A proposta - que inicialmente consistiu na oportunidade de os
músicos registrarem de forma semi-profissional seus
trabalhos, gravando suas canções nos estúdios
da própria rádio, numa época em que Porto
Alegre não era dotada de estúdios efetivamente
profissionais, e, melhor ainda, com a veiculação
iterativa e efusiva das gravações no programa do Mr.
Lee, e, posteriormente, inclusive na programação
normal da rádio - desembocou em um verdadeiro movimento
musical sem precedentes na cena portoalegrense, que não
somente ganhou o Estado, como inclusive marcou presença no
Paraná, apresentando o trabalho dos gaúchos aos
paranaenses, e vice-versa. Foram shows e caravanas de
músicos pelo sul do país, com auditórios
lotados e, não raro, tumultos e fãs
histérica(o)s. Quando os artistas apresentavam-se nos shows
denominados “Mr. Lee in Concert”, subiam ao palco
não raro tendo a platéia “na mão”,
uma vez que o público jovem já conhecia as
músicas por ouvi-las reiteradamente antes na rádio,
não raramente cantando junto as canções.
Nestes shows – e nos shows individuais e coletivos que os
artistas passaram a fazer a partir daí - havia uma total
identidade entre os espectadores e os artistas, assim como eles,
jovens típicos da classe média gaúcha (e de
outras classes também). Geralmente os artistas e o
público estavam imbuídos das mensagens de “paz
e amor”, de sonhos e utopias, nos rastros do movimento hippie
e de outras viagens típicas dos anos 70. Além disso,
as apresentações eram recheadas de toques sobre a
“liberdade” e o vazio do mundo do consumo, mensagens
que, diga-se de passagem, tinham que ser muito bem metaforizadas
para conseguir “passar” pela censura. Os shows,
guardadas as proporções, eram traduções
miniaturizadas de Woodstock, festival americano no qual
Júlio procurou se inspirar, e em vários aspectos eram
mesmo correlatos deste. É claro que não tinham e nem
podiam contar com toda a estrutura, a
“piração” e liberdade vigorantes nos EUA
dos 60, afinal ainda estávamos em plena ditadura, e a
própria reunião de um grande número de jovens
em um local fechado já era muito mal vista pelos censores,
que exigiam que o radialista e os músicos lhe submetessem
previamente o conteúdo do que iam falar ao público.
Mas com certeza, em termos de número de
atrações, qualidade, variedade, duração
dos shows (o show no auditório Araújo Vianna durou
uma eternidade) e animação, havia sim
semelhança com o grande festival americano, guardadas as
proporções, enfatiza-se. É preciso destacar
também que, naquela época, meados dos anos 70, em que
reinavam soberanos os vinis, os discos independentes eram
raríssimos, limitando-se a eventuais e bissextas
“matérias pagas” de algum “incauto”
ou “milionário”, de forma que o esquema do Mr.
Lee proporcionou que artistas amadores (em termos profissionais,
não em questão de qualidade musical) e independentes
pudessem registrar o seu som e divulgar de forma totalmente
gratuita o seu trabalho, sem qualquer esquema de jabá ou
coisa que o valha, muito ao contrário. Pra não fugir
da regra, tudo isto somente aconteceu porque na hora certa estava
no local certo a pessoa certa, com a atitude certa. Sem
dúvida, se não fosse a coragem pessoal do
Júlio Fürst, então no início de sua
promissora carreira profissional de radialista e apresentador (a
que, após este ciclo, deu continuidade, já despido do
personagem, mas de forma não menos brilhante, na
própria Continental e em diversas FMs da cidade, sendo que
atualmente desempenha na Rádio Itapema FM), nada disso teria
acontecido. É preciso lembrar que os fatos a que fazemos
alusão ocorreram num cenário em que não havia
significativas apostas em artistas jovens locais por parte da
mídia - com raras exceções de incentivadores,
tais como o grande radialista Glênio Reis, Pedrinho
Sirótsky e o seu Transassom, bem como o suporte dado pela
mídia escrita, especialmente por Juarez Fonseca, Maria
Wagner, Osvil Lopes e Nei Gastal -. O contexto do mercado musical
gaúcho era tal que os talentos surgidos inevitavelmente
tinham que migrar para o centro do país para obter maior
projeção e o merecido reconhecimento, sem que
gozassem ainda de um ilimitado prestígio por aqui, tal como
ocorreu nos anos 60 com Elis Regina e com o Liverpool (banda de
rock tropicalista que na década seguinte deu base ao
também lendário Bixo da Seda). E é justamente
por conta desta realidade local, que a postura que Júlio
decidiu abraçar com unhas e dentes se afigurava então
uma incógnita, e se apresentava virtualmente
temerária, não apenas comercialmente para a
Rádio Continental, mas inclusive para o próprio
futuro profissional do radialista. Com efeito, não havia
muita referência acerca da viabilidade comercial desta
proposta inovadora, à época, mas é
indubitável hoje que, se não fosse pelo pioneirismo
de Júlio e dos diretores da rádio, que respaldaram a
sua idéia, certamente o mercado local de música em
Porto Alegre não seria o que depois veio a ser, e tampouco o
que é hoje. E o que chama mais atenção, e que
nos revela que a coragem foi ainda maior do que se poderia
inicialmente supor, é a extrema qualidade dos trabalhos
veiculados, o que indica que a diretriz era no sentido de se
promover um verdadeiro nivelamento “por cima” junto ao
público. De fato, Júlio não
“facilitava” para o público, não nivelava
“por baixo”, não “empurrava”
músicas fracas e escancaradamente comerciais “goela a
baixo”, em busca de maior penetração junto
à audiência. Ao contrário, os trabalhos
musicais que o Mr. Lee apoiava não ficavam em nada a dever
em relação ao que era produzido de melhor, à
época, no resto do país, em termos de MPB, Pop e
Rock. Júlio, com sua audácia e originalidade,
demonstrou que era (e é) possível sim veicular
música jovem de qualidade feita em Porto Alegre e obter com
isso respaldo popular e resultados comerciais em termos de
faturamento da emissora.
Infelizmente, o programa do Mister Lee deixou de ser produzido em
face do desacordo havido entre a empresa patrocinadora e a
direção da rádio, quanto aos valores do
contrato de publicidade. Deste modo, Júlio já entrou
o ano de 77 não mais como o cowboy, mas como “Mestre
Júlio”, e sem o “gás” que o
patrocínio proporcionou em termos de respaldo para a
produção dos shows, que por serem coletivos e durarem
horas a fio, envolviam altos custos. O fim do programa, em que pese
a força que o radialista e o restante da equipe da
rádio continuaram dando ao som local, representou um
considerável revés para alguns dos trabalhos musicais
que eram divulgados naquele espaço. Alguns outros artistas
da cena conseguiram manter uma projeção ascendente em
suas carreiras, em que pese tal fato.
Não seria arriscado dizer que possivelmente muitos de
nós hoje não conheceríamos os excelentes
músicos que afloraram daquela geração
portoalegrense e gaúcha, que Júlio catapultou em seu
programa e nos shows que promovia. Alguns destes artistas, se
não fosse a ousadia do seu “empurrão”
inicial, talvez não se tornassem tão famosos
nacionalmente no futuro, tais como Kleiton e Kledir (então
membros dos Almôndegas), Hermes Aquino (é, aquele
mesmo da Nuvem Passageira) e Joe (roqueiro que começou pela
MPB, vencendo uma das linhas da Califórnia da
Canção, festival de música regionalista
gaúcha, como Zezinho Athanásio, depois
transmutando-se em “Joe Euthanásia” –
observação: não chegou a participar de show do
Mr. Lee, mas era rodado no programa), e Mauro Kwitko (autor de
algumas das pérolas do repertório de Ney Matogrosso
em sua carreira solo). Além, obviamente, talvez não
viessem a obter projeção tantos outros nomes
importantes que surgiram naquele período, tais como Fernando
Ribeiro, Gilberto Travi, Inconsciente Coletivo, Nelson Coelho de
Castro, e muitos mais. Mas não apenas isso, se não
tivesse acontecido o movimento capitaneado pelo Mr. Lee -naqueles
frenéticos dois anos aproximadamente em que o programa foi
ao ar, do meio para o fim da década de 70-, não seria
delírio pensar que muitos outros trabalhos importantes como
os de Nei Lisboa, Bebeto Alves, Gelson Oliveira, Totonho Villeroy,
Vitor Ramil, Júlio Reny, Jimi Joe, Wander Wildner, Frank
Jorge - ou seja, um espectro que abrange o próprio Rock
Gaúcho dos Anos 80, que estourou Brasil afora -, talvez
não houvessem obtido tanta repercussão no futuro.
Ocorre que vários dos radialistas importantes surgidos na
década seguinte (a grande maioria inclusive hoje ainda na
“ativa”), que deram o “empurrão”
inicial necessário para impulsionar as carreiras destes
músicos, eram fãs dos programas veiculados na
Continental, e foram influenciados de alguma maneira pelo
“modelo” do programa do Mister Lee, adotando a mesma
postura de divulgar e apoiar valores locais novos em suas
respectivas rádios FM. Pode-se rastrear a influência
da Continental AM, ainda que de forma reflexa, na
formatação das rádios Ipanema FM,
Atlântida FM, Unisinos FM (notadamente em sua versão
inicial, mesmo porque o seu criador assim o declarava), Band FM (o
manager Kamarão também reconhece a influência),
Gaúcha FM (atualmente Itapema), Pop Rock e FM Cultura
(especialmente na época em que Zé Flávio foi o
Diretor de Programação). Ou seja, nas principais
estações de música jovem, rock e mpb da
capital gaúcha.
Seguem abaixo alguns dos trabalhos e artistas veiculados pelo
Mister Lee e pela Rádio Continental AM nos anos 70 ligados
ao rock (ou ao pop rock, ou à MPB mais ligada ao pop).
Não é ocioso registrar que, em entrevista pessoal que
Júlio Fürst me concedeu, perguntei-lhe porque o Bixo da
Seda, então o principal nome do Rock Gaúcho,
não fez parte do “circo” do Mr. Lee. Segundo
Júlio, isso deveu-se ao fato de que, embora tenha feito o
convite ao empresário da banda, o mesmo pediu uma alta soma
à guisa de cachê, o que a produção
não tinha condições de cobrir, tendo em vista
que os valores alcançados pelo patrocinador mal suportavam
os custos de produção, sendo que os artistas
(não raro dez ou doze bandas por evento) rateavam apenas o
que sobrava, após o abatimento dos gastos, da renda da
bilheteria.
- Inconsciente Coletivo: banda que misturava folk e mpb num formato
“Peter – Paul – Mary “, com João
Antônio (atualmente dono do Abbey Road, uma das principais
casas de shows musicais de Porto Alegre, na qual é
sócio de Júlio Fürst), Alexandre (um dos
proprietários do Sargent Peppers, outra casa noturna
importante da cidade) e a (psicóloga) Ângela. Um som
suave, com violas e vocais, bem legal, em que se destacavam as
músicas “Voando Alto” e “Terras
Estranhas”, gravadas em um compacto lançado em 77 pela
gravadora carioca Tapecar.
- Bizarro (posteriormente Byzarro): banda de rock progressivo, hard
rock, jazz e o que mais pintasse. Criada nos anos 60 sob a alcunha
de Prosexo, contou em sua formação com Carlinhos
Tatsch (guitarra), Gélson Schneider (baterista, que
posteriormente pertenceu às bandas Trovão, Swing e
Câmbio Negro), Mário Monteiro (baixo) / Mitch Marini
(baixista que também integrou as bandas mencionadas de
Gélson). Fizeram vários shows em dobradinha com o
Bixo da Seda. Destacam-se no repertório
“Sombras” e “Betelgeus Star”.
- Bobo da Corte: na época do Mr. Lee, a banda tinha na
formação Zé Vicente Brizola (filho do
próprio e fundador do Bixo da Seda), Gatinha (bateria,
posteriormente atuou no Saracura em sua fase inicial),
Chaminé (baixo, depois Saracura) e Otavinho (guitarra).
Fughetti Luz chegou a participar de uma das formações
desta banda, antes de entrar para o Bixo. Rock direto levemente
hard, numa levada bem juvenil, sendo de destacar “Genial
Colegial”.
- Almôndegas: Banda seminal da música gaúcha
dos anos 70, da qual participavam Kleiton e Kledir, e, ainda, Quico
Castro Neves, Gilnei Silveira e Pery Souza. Depois, saíram
os três últimos e entraram Zé Flávio,
João Baptista e no finzinho (79) Fernando Pesão, este
na bateria. Transitava pelo rock, bossa nova, milongas, temas
regionais do Sul, Mpb e o que mais pintasse, com ótimas
letras. Destaque para a Canção da Meia-Noite, que foi
trilha da novela Saramandaia da Rede Globo, e Rock e sombra fresca
no Quintal (ambas do genial guitarrista Zé
Flávio).
- Hallai-Hallai: banda de country/folk rock, num estilo bem
acústico, fazia um som muito legal, contava com Necão
e Paulinho, entre outros membros que foram se revezando, sendo que
em 1987, com Jorge Vargas no baixo, gravou um disco pela gravadora
3M, intitulando-se apenas como Hallai. Em destaque, as
músicas “Cowboy” e “Quando viajar pro
Norte” (esta de Fernando Ribeiro).
- Zé Flávio e o Mantra (posteriormente Mantra Jazz
Rock circus): Banda capitaneada pelo guitarrista Zé
Flávio, o qual, antes de monta-la, participou da banda-show
Em palpos de Aranha, que também chegou a se apresentar em
show do Mr. Lee (a Em palpos era Zé, Cláudio Levitan,
Graça Magliani, Giba-Giba e Néri). O Mantra era
formado ainda por Inácio (baixo), Fernando Pesão
(bateria, também da banda instrumental Zacarias, que
participou do Mr. Lee, posteriormente integrante dos
Almôndegas, Saracura e atualmente nos Papas da
Língua), e Jakka (percussão). Transitando entre o
rock, o blues, a mpb, o tango, entre outras milongas, sempre com
uma pitada “latina” a la Carlos Santana, fazia um som
bem lisérgico e com muita energia. Destaque para
“Dói em mim” e “A Margarida do
Brejo”. A banda terminou quando Zé foi convidado para
integrar os Almôndegas em 77, mudando-se para o Rio de
Janeiro.
- Élbia: cantora que fez parcerias com o jornalista,
radialista e músico Jimi Joe, apresentou-se no último
show do Mr. Lee, realizado no Teatro Leopoldina, em 76, tinha uma
música maravilhosa, que não deixava nada a desejar em
relação à Rita Lee da fase Tutty Frutti,
chamada “Como meu quociente de pureza se manifestou diante da
Sociedade”.
- Gilberto Travi e o Cálculo IV: MPB com pitadas de Jazz e
blues, com letras inteligentes e provocativas, nas quais eram
utilizadas muitas das gírias dos anos 70, com um especial
sotaque portoalegrense. Participou em todos os shows do Mr. Lee.
Gilberto chegou a ser convidado por Liminha para gravar um compacto
pela Warner, que havia se separado da Gravadora Continental, na
época, e estava criando o seu cast, o que só
não rolou em face da falta de garantias financeiras mais
sólidas, além da exigência de que abandonasse a
banda que sempre o acompanhou. Posteriormente, junto com o
próprio Júlio Fürst, com Beto Roncaferro, e com
João Antônio, formou os Discocuecas, banda
impagável de “gozação” e
“tiração de sarro”, na qual restou muito
bem canalizada a face humorística que Gilberto também
explora como compositor e performer. Em sua faceta
“séria” destaca-se, no repertório de
“Gilberto Travi e o Cálculo IV”,
“Poluição” e
“Pretensão”.
- Hermes Aquino: sensacional cantor e compositor, traçava o
que viesse, do blues/rock à guarânia. Em sua fase
tropicalista, nos anos 60, foi pra Sampa e orbitou em torno dos
poetas concretistas, junto com sua prima Laís Marques e com
Carlinhos Hartlieb, fechando parcerias com Tom Zé e o grupo
o Bando. Depois voltou para o Sul e foi um dos principais nomes dos
shows do Mr. Lee. Em face desta visibilidade, gravou pela Tapecar
as músicas Nuvem Passageira e Matchu Pitchu, sendo que a
primeira foi trilha da novela Casarão, primeiro lugar nas
paradas de sucesso nacionais. Desentendendo-se posteriormente com a
gravadora Capitol, que lançou seu segundo LP, recolhendo-se
infelizmente em ostracismo em sua casa em Porto Alegre, o que
vigora até hoje, para a tristeza de seus fãs.
- Utopia: Trio acústico à base de dois violões
de aço (um deles de doze cordas) e violino, liderado por
Bebeto Alves, contando também com os irmãos Ricardo e
Ronald Frota. Difícil de classificar o seu som, feito de
“viagens sonoras” típicas dos anos 70, com muito
improviso e músicas intermináveis, me arriscaria a
dizer que seu estilo era mais ou menos
“psicodélico-acústico-progressivo”, com
pitadas de jazz cigano (em entrevista que me concedeu, o Bebeto
associou o som da banda ao Crimson de Robert Fripp). Desmanchou-se
em 76 e lá por 78 teve nova formação, bem
maior, e com uma proposta ligeiramente diferente da original, com
Bebeto, Ricardo, Cao Trein, Zé Henrique Campani (que
também foi dos grupos Emergência e Metamorfose, que
participaram de shows do Mr. Lee) e até de Nico
Nicolaiéwsky (passagem rápida), dentre outros.
Lá por 79 Bebeto começou sua carreira
solo.
Rogério Ratner (currículo) escrito em sexta 28 setembro 2007 18:47
Rogério Ratner começou sua carreira musical em 1984, apresentando-se em bares, festivais estudantis, shows coletivos, etc., acompanhando-se ao violão, cantando músicas próprias e também MPB. Merecem destaque, neste período, a participação no show coletivo “7 na 6ª”, no Araújo Viana, a premiação no Festival do Colégio Champagnat, ocorrido no Salão de Atos da PUC, e o show em dupla com Auriu Irigoite, na Terreira da Tribo. A partir de 1993, acompanhado de banda composta por alguns dos melhores instrumentistas de Porto Alegre (Ricardo Arenhaldt, Michel Dorfman, New, Luisinho Santos, Bethy Krieger, Nico Bueno, Marcelo Delacroix, Clóvis Boca Freire, Toti Lima, dentre outros), apresentou um repertório centrado nos grandes clássicos da música norte-americana do início do século passado (Gershwin, Irving Berlin, Cole Porter, Jerome Kern, etc.). Este trabalho foi apresentado no Foyer do Theatro São Pedro (3 vezes no projeto Blue Jazz), no auditório do Instituto Cultural Norte-Americano, na Sala Radamés Gnatalli do Auditório Araújo Viana, no Sarau do Solar dos Câmara, no Teatro Renascença (Show Rubi Violeta, que teve a direção cênica de Eduardo Fachel, e participação especial do Ballet Phoenix), no Salão Mourisco da Biblioteca Pública, no Café Concerto da CCMQ, etc. Também apresentou o show intitulado “O Blues na MPB” na Usina do Gasômetro e nas Salas Radamés Gnatalli (Araújo Viana) e Luis Cosme (Casa de Cultura Mário Quintana). O seu primeiro CD, com 13 canções de sua autoria,foi lançado noano de 1997. Contou, em sua gravação, com um time de músicos de primeira linha de Porto Alegre: Ciro Moreau,Michel Dorfman, New, Ricardo Arenhaldt, Edson Jr., Jorginho do Trumpete,Serginho do Trombone, Cláudio Sander. A destacar, na divulgação do primeirodisco, a rodagem do clipe da música “Claro Escuro” nos programas Território Nacional da MTV e TVZ do Multishow.O clipe foi dirigido pelo cineasta gaúcho JaimeLerner, tendo sido filmado em 18mm, e teve a produção de Cícero Aragon. Afinalização foi feita na RBS Vídeo. Contou com a participação dasatrizes/modelos gaúchas Bárbara Koboldt (Revista Sexy) e Cléo de Paris(Tolerância, de Carlos Gerbase). Também em relação ao primeiro CD, merecedestaquea rodagem da música “Lucidez”no programa “Versão Brasileira”, da Rádio 89 FM de São Paulo (A Rádio Rock),entre outras estações da capitalPaulista, tais como a Gazeta AM, a Imprensa FM, etc. Cumpre destacar tambéma participação de Rogério em programas televisivos tais como “Barraco” (MTV), “A Turma do Arrepio” (RedeManchete SP, juntamente com as bandas Os Ostras e Homem do Brasil), ProgramaRosana Hermann (Rede Mulher, SP), Jornal do Almoço (RBS TV), Estúdio 36, Palco,Tânia Carvalho (TVCOM), Folharada Ipanema na TV, Jornal Acontece (Bandeirantes),Radar, Estação Cultura (TVE), Programa Vera Armando (TV Pampa), Programa Palavrade Mulher (Marlei Soares) (TV Guaíba)dentre outros. O primeiro CD de Rogério Ratner foi citado emmatéria do jornalista Luís Antônio Mello(fundador da Fluminense FM RJ) sobre o Rock Nacional, publicada no Jornal oEstado de São Paulo (Estadão). O disco também foi mencionado nas revistas Guitar Player, Internacional Magazine,Shopping Music, Vizoo, Colóquio,dentre outras publicações do centro dopaís. No Estado, o lançamento do CD foi noticiado em diversos órgãos deimprensa, tais como Correio do Povo,Zero Hora, Porto e Vírgula (SMC), Jornal do Comércio, Revista Záffari, JornalMultisom, Porto Blues, Folha do Ônibus, Folha da História, Usina do Porto, FalaBrasil, etc.Músicas do primeiro CDrodaram (em alguns casos durante entrevistas, e, em outros, na programaçãonormal) nas rádios Ipanema FM,Bandeirantes FM, Gaúcha FM, Cultura FM, 107.1 FM (programa Studio B),Farroupilha AM, Gaúcha AM, entre outras, além de rádios no interior do Estado(em Pelotas, Erechim, Santa Maria, Lajeado, Canela, etc).Em face do lançamento do CD,foram realizados diversos shows, em formato elétrico ou acústico. A destacar osshows no Foyer do Theatro São Pedro, no Auditório Araújo Viana (Show coletivo“Os emergentes), na Feira do Livro, no DC Navegantes, no Mix Bazar (Usina doGasômetro), na Cia. de Arte, etc. A banda que acompanhou Rogério nos shows delançamento do CD foi composta por Ricardo Arenhaldt (Boogaloo/GeraldoFlach)/Roni Martinez (Bandaliera/Fernando Noronha), bateria; Ciro Moreau,guitarra; Edson Jr. (Jah Mai)/Mário Carvalho (Boogaloo/Osvaldos e a Aranha), baixo; Michel Dorfman (Hique Gomes,Bebeto Alves)/New (Venerável Lama) teclados. - Lançou em 2005 o seu 2º CD. O disco conta com 18 músicas,todas de autoria de Rogério, transitando entre o rock, o pop, as baladas e oblues. O disco contou com a produção doprodutor e guitarrista Ciro Moreau (Jazz Noir, Open Station, Osvaldos e aAranha, Lúcia Severo, Dani Calixto, Guito Thomas, Rafael Brasil, etc.).O show de lançamento ocorreu no Bar Zelig, no qual Rogério, além deacompanhar-se ao violão, contou com a participação de sua banda, formada por Ciro Moreau (guitarra), Edson Jr. (baixo) e Rodrigo Lopes (Bateria). Tambémforam realizados shows acústicos na Livraria Cultura, na Casa de Cultura Mário Quintana, no Sarau no Solar dos Câmara, nos quais Rogério foi acompanhadopelo guitarrista Gambona. Rogério também participou do Encontro das artespromovido pelo Jornal Fala Brasil no Shopping Rua da Praia e dos shows Prata da Casa, na Associação Atlética Banco doBrasil.Na divulgação dolançamentodo segundo CD Rogérioconcedeuentrevistas na Rádio FM Cultura(Programa Cultura Acústica), bem como nos Programas Radar e Estação Cultura da TVE, a Bela e a Fera (TVUNISINOS-apresentação de Fabrício Carpinejar e Márcia Tiburi) e na Rádio da Universidade de Santa Maria.O lançamento foi destacado em jornais da cidade, tais como Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, Diário Gaúcho, O Sul, Fala Brasil e Jornal da Noite,dentre outros. Na WEB, suas músicas constam nawww.radioterra.com.br, bem como nowww.showlivre.com.br.www.musicexpress.com.br;www.buscamp3.com.br. O Cd foi resenhado pela Revista MPB (RJ), pelo site Whiplash, pelo site Rock Press, entre outros. Ainda, houve a veiculação de cinco músicas no Programa Contramão da Rádiowww.mundorocknet.com.br, do Rio de Janeiro. E Rogério faz parte da 3ª COLETÂNEA DO PROGRAMA CONTRAMÃO. Ainda, foi rodada uma música no programa Blues Power, da Rádio USP/FM de São Paulo, e a música “Mau Humor” no programa Frente, produzido pelo tecladista do Skank, Henrique Portugal, na Rádio Oi FM.
Para escutar músicas de Rogério Ratner escrito em sexta 28 setembro 2007 21:20
Para escutar músicas dos dois CDs, vá no site oficial:
Para ouvir outras músicas do segundo CD de Rogério Ratner, vá em
http://www.musicexpress.com.br/rogerioratner
também em http://www.bandasgauchas.com.br
procure por Rogério Ratner
também em
ou
http://jmaurohp.com/rocknacional1.htmil
ou
ou
http://www.showlivre.com.br , entre em "minha banda" e procure "Rogério Ratner"
Download gratuito.










