Home Data de criação : 07/09/25 Última atualização : 12/05/24 10:23 / 227 Artigos publicados

Arvorecídio em Porto Alegre  escrito em quarta 08 fevereiro 2012 14:50

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A obra que a Prefeitura Municipal de Porto Alegre pretende fazer na esquina da rua Anita Garibaldi com a av. Carlos Gomes, se o projeto avançar, vai redundar em uma  verdadeira tragédia ecológica, um efetivo "ARVORECÍDIO" na capital gaúcha. Com efeito, pelos cálculos do próprio secretario Urbano Schmitt, serão derrubadas por volta de 60 árvores, muitas delas centenárias, e inclusive de mata nativa, para a realização da passagem de nível (túnel, ou viaduto) na forma pretendida.

De pronto surge o questionamento: será que vale a pena fazer uma obra totalmente desnecessária como esta, flagrantemente lesiva ao meio ambiente, com todos os transtornos e alterações que vai causar não apenas aos moradores diretamente atingidos, mas inclusive em torno da vida dos bairros envolvidos, e, de resto, para toda a cidade? 

Tudo isto porque supostamente Porto Alegre vai sediar alguns jogos da Copa do Mundo de alguma seleção obscura da África ou da Ásia.

Pergunta-se: em que medida esta obra  na Anita Garibaldi vai influir na realização Copa? Vale dizer, a Copa do Mundo deixará de ser realizada em Porto Alegre se não for feita esta obra?

Qual a necessidade disto? Ou será que há outros interesses envolvidos na questão, que estão fazendo o prefeito Fortunatti e os seus asseclas quererem enfiar "goela abaixo" da população uma obra voluptuária, cara, prejudicial ao meio ambiente e totalmente contrária aos mais elementares princípios urbanísticos?

Parece até piada, porque, em que pese a realização da própria Copa em Porto Alegre não esteja efetivamente assegurada, diante da paralisação das obras do Beira Rio,  Fortunatti e seu entourage querem de todo modo impor de forma arbitrária esta obra que em nada trará qualquer melhora em qualquer aspecto, muito menos em favor do fluxo do trânsito (o motivo principal apontado pelas "autoridades" para a realização do túnel).

Veja-se que as "autoridades" entendem tanto do assunto que o Secretário Urbano Schmitt chegou a dizer, em uma entrevista a um jornal de nomeada da capital, que a Anita Garibaldi é uma avenida!!!! Pasmem, o homem não sabe sequer que a Anita é uma rua, o que dirá sobre o resto. Mas isto já serve para mostrar a qualificação e o preparo que os "responsáveis" têm em matéria urbanística.

E o secretário do meio ambiente, Zachia, vai permitir a derrubada em um único golpe de sessenta árvores centenárias, com prejuízos incalculáveis aos pássaros que fazem da região o seu habitat? Não deveria estar ele ocupando o cargo justamente para vir em defesa da natureza?

Os moradores da rua Anita Garibaldi e adjacências já se reuniram e condenaram de forma  unânime e eloquente a obra em questão, diante dos inúmeros problemas advindos deste projeto mal elaborado.

Com efeito, a obra provocará um grande impacto negativo  para os bairros Mont'serrat, Bela Vista, e Petrópolis e Boavista. Fruto desta mobilização dod moradores foi a abertura de procedimento por parte do Ministério Público, de forma a buscar esclarecimentos acerca de inúmeros aspectos envolvidos que não foram levados em consideração pelas autoridades. Cumpre ressaltar, desde logo, o profundo repúdio dos moradores com a forma que a administração pública municipal encaminhou a questão. De fato,  o mandatário do paço municipal e seus colaboradores não se deram ao trabalho de chamar quem quer que fosse dos moradores para esclarecer algo a respeito, muito menos para receber sugestões, não tendo havido nenhum traço da tão propalada “participação popular” nas decisões unilateriais tomadas pela administração, que interferem diretamente na vida de milhares de pessoas.

Estes são alguns dos mais relevantes problemas apontados pelos moradores:

- na medida em que os carros vão trafegar em alta velocidade nas pistas que darão acesso à Carlos Gomes (pinças), na parte de cima (antes da Carlos Gomes, vindo do centro), e da Carlos Gomes para a Anita (na parte de baixo da Anita, que vai em direção do shopping Iguatemi), será criada uma verdadeira auto-estrada, de forma que isto causará enorme perigo para os moradores que forem sair de suas garagens com seus veículos, com sérios riscos de acidentes graves e abalroamentos violentos. De fato,  será uma única faixa "disputada" pelos que vem correndo em velocidade alta e os que estarão saindo lentamente de seus prédios, a 10Km/h das garagens; isto envolve a segurança de milhares de pessoas, dado que há diversos grandes prédios de condomínio no local.

-   a obra dificultará ainda mais a vida dos motoristas, uma vez que a Anita corresponde a  um dos únicos acessos que permitem aos carros provenientes de diversas ruas dos bairros Petrópolis, Bela VIsta, Mont'serrat e Boavista (atingindo, naturalmente, inclusive, boa parte dos motoristas que vêm dos bairros Bom Fim, Rio Branco, Moinhos de Vento, Centro, etc.) adentrarem na av. Carlos Gomes, pelo lado que vai dar acesso à zona norte e ao Aeroporto - e, inclusive, logicamente, às cidades adjacentes  (Grande Porto Alegre: Canoas, Esteio, Novo Hamburgo, etc.). Com a passagem de nível planejada pela Prefeitura, tal acesso será barrado, e o trânsito, diante do afunilamento das pistas na Anita na parte de baixo, vai restar obstado de qualquer modo, não trazendo qualquer benefício ao fluxo; ao contrário, vai causar mais congestionamento;

- a instalação do túnel (passagem de nível) tornará o simples desejo de atravessar a Anita Garibaldi a pé, de uma calçada a outra, um enorme risco de vida aos moradores e aos trabalhadores que prestam serviços junto ao local; diante disto, até o próprio argumento de que a obra poderia melhorar o fluxo de veículos não se sustenta, pois, em caso de um atropelamento, o trânsito ficaria estancado; isto afora, evidentemente, o prejuízo em vidas, lesões corporais, bem estar da população, e consequentes ônus com o tratamento médico e hospitalar das vítimas suportados pelos cofres públicos;

-  a obra praticamente inviabilizará aos pedestres e moradores atravessar a pé a Carlos Gomes, para ir de um lado a outro, o que já é atualmente quase impossível naquela área, diga-se de passagem, diante das manifestas incorreções técnicas do projeto da III Perimetral, gerando risco de vida a todos que trabalham, circulam e moram nas adjacências. De fato, as sinaleiras que estão na esquina da Anita com a Carlos Gomes correspondem, atualmente, a um dos raros pontos em que esta travessia de um lado a outro da Carlos Gomes é possível, em quilômetros, praticamente;

- A Anita Garibaldi é uma rua, não uma avenida. Trata-se de um logradouro estreito, que não comporta a obra planejada. No início da Anita, lá na Quintino Bocaiúva, a rua, por sua estreiteza, em muitos trechos só permite a passagem de  no máximo dois carros. Assim, os prédios estão muito próximos da faixa de rolamento, de forma que a obra vai colocar em risco a segurança de milhares de moradores, pois se trata de uma escavação profunda, de mais de dez metros, que pode abalar as estruturas dos prédios, com riscos de desabamento, afora rachaduras, etc;

- do ponto de vista ecológico, aliás, a política da Prefeitura em relação à obra é totalmente contraditória. De um lado, quando há necessidade de retirar ou mesmo podar uma árvore, as maiores dificuldades são impostas, sob os auspícios da preservação do meio ambiente. Agora, quando a situação envolve diretamente a possibilidade de promoção política, com abertura de espaços de mídia para os eternos "candidatos" às eleições, às favas dezenas de árvores e a ecologia. 

- Cumpre ressaltar  que o grande número de árvores e jardins que a área contém a transforma no habitat de diversas espécies de pássaros, cuja existência restará condenada com a efetivação da malsinada obra.

- O aumento de velocidade dos veículos que circularem na Anita vai criar uma situação de crescimento de riscos de abalroamentos de veículos; além de todos os efeitos deletérios em nível pessoal e coletivo, o próprio trânsito será prejudicado, na hipótese de ocorrerem acidentes, pois a estreita via terá que ser bloqueada, em face das providências correspondentes ao atendimento das vítimas (ambulâncias, etc.);

- a desapropriação da área dos jardins de frente dos prédios localizados na calçada da direita (sentido centro-bairro) provocará o impacto ambiental já referido, além de expor os moradores e seus empregados a maior risco de doenças do trato respiratório, devido a altas concentrações de gás carbônico advindo dos veículos que trafegarem ali, em maior velocidade do que a atual (evidentemente, quanto mais corre, mais o veículo consome combustível, e mais prejudica o ar); o barulho vindo dos carros também aumentará significativamente, prejudicando o sono e a saúde dos moradores desta rua eminentemente residencial.

- a obra em questão desvalorizará de forma contundente os imóveis localizados nas adjacências. Isto evidentemente demandará mais custos ao erário público, pois o prejuízo dos moradores deverá ser devidamente indenizado.

 Afora estes aspectos, além de vários outros que não listamos, cumpre ressaltar que chama a atenção dos moradores e causa estranheza a urgência com que a PMPA está tentando “tocar” a obra, mesmo sem qualquer efetivo estudo de impacto estrutural nos prédios, da efetiva melhora na circulação de veículos, da segurança, do impacto ambiental, etc., ainda mais considerando que sequer a realização da Copa em Porto Alegre está efetivamente garantida, devido à paralisação das obras do Beira-Rio. A comunidade entende que deve ter o direito de participar, opinar e dar sugestões frente a tal projeto, em virtude das inúmeras impropriedades de que padece.

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1 comentário(s)

  • Luciana mailto

    Qui 09 Fev 2012 14:53

    Um absurdo!!!!!!!!!! Esse é nosso país, sempre voltado ao interesse de poucos.... Muito poucos.

    A cidade, meio ambiente e sua população estão sempre em último lugar!!!
    Insistem em dizer que irá melhorar o transito, é uma mentira, vai PIORAR e muito!!!!


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